Se é empurrado neste mundo
Sem direito a escolha ou voz.
É jogado-se ao mundo empírico
E se ensinado o mundo teórico
E depois ainda, ensinado quando e a hora de cada um.
Se é jogado, muitas vezes,
Sem escolhas ou refúgios
No deserto árido das civilizações
No aprendizado calejante da
Própria existência.
Se é levado pelas multidões e
Limitações materiais.
Usurpado nossas esperanças.
Vindo e partindo apenas.
Se é remado para as profundezas.
Do escuro e para o mais alto da clareza
Ou a mesma medida diversa.
Se é carregado pelas mãos e pelos pés
De quem serve aos outros
De quem só pode ser empurrado.
Se é tomado a própria existência
Quando dela mal se percebe a efemeridade.
Mal se nota a importância.
Quando o sacro está acima e não ao lado.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Gente?
Eu tive fome,
E bebi água barrenta para passar.
Eu tive sede,
e não tinha água, adormeci.
Eu quis plantar
Mas não tinha terra.
Eu tive frio
e um jornal foi para esquentar.
Eu adoeci e sofri.
O doutor não chegou e eu morri.
Eu quis vida, liberdade,
e tudo me foi negado.
Eu não sei para quê, mas chamam de dignidade...
Esta eu acho que nunca terei.
Porque eu não sou letrado,
sou mulato, sou favelado,
sou indigena, sou mulher,
sou gay, sou deficiente,
sou feio, burro e tolo.
No fundo acho que não sou gente.
E bebi água barrenta para passar.
Eu tive sede,
e não tinha água, adormeci.
Eu quis plantar
Mas não tinha terra.
Eu tive frio
e um jornal foi para esquentar.
Eu adoeci e sofri.
O doutor não chegou e eu morri.
Eu quis vida, liberdade,
e tudo me foi negado.
Eu não sei para quê, mas chamam de dignidade...
Esta eu acho que nunca terei.
Porque eu não sou letrado,
sou mulato, sou favelado,
sou indigena, sou mulher,
sou gay, sou deficiente,
sou feio, burro e tolo.
No fundo acho que não sou gente.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Homem racional
Eu que me declaro consciente.
racional como todo o humano.
Que deseja ir além daquilo que se vê.
Que se poda das emoções.
Para assim, ser quem espera ser.
Num lugar ou ocasião qualquer.
Se faz mediato se apresentar
e executar aquilo que se espera.
Aquilo que se crê.
Aquilo que se vê.
Atesto através das palavras.
Articulações, meticulosamente refletidas.
O que o humano pode ser
máquina de concreto, oca.
Nascido com ou sem alma.
Com paixão ou apagada esta.
Eu sou homem.
Mas eu admito.
Que o racional esteja com determinante
Ante aos demais animais.
Mas se não me compadeço.
Sou o pior dos animais.
Sou aquele que sabe.
Mas não ajuda.
Sou aquele que aceita a morte.
Como razão para vida.
racional como todo o humano.
Que deseja ir além daquilo que se vê.
Que se poda das emoções.
Para assim, ser quem espera ser.
Num lugar ou ocasião qualquer.
Se faz mediato se apresentar
e executar aquilo que se espera.
Aquilo que se crê.
Aquilo que se vê.
Atesto através das palavras.
Articulações, meticulosamente refletidas.
O que o humano pode ser
máquina de concreto, oca.
Nascido com ou sem alma.
Com paixão ou apagada esta.
Eu sou homem.
Mas eu admito.
Que o racional esteja com determinante
Ante aos demais animais.
Mas se não me compadeço.
Sou o pior dos animais.
Sou aquele que sabe.
Mas não ajuda.
Sou aquele que aceita a morte.
Como razão para vida.
sábado, 25 de setembro de 2010
O perfeito e imperfeito
Sou feita do orvalho das flores
Sou um amontoado de cascalho
Sou a brisa marítima
Sou o bloco de mármore
Sou o fruto doce do paladar
Sou o cheiro do tabaco
Sou a pureza da infância
Sou a experiência da história
Sou o maleável e o duro
Sou o firmamento
Sou o norte e o sul
A razão e o amor
Sou um coração que debocha sua utilidade
Sou a animalidade na minha razão
Eu sou o belo
Eu sou o feio
Eu sou a compaixão
E sou o ser humano
Sou um amontoado de cascalho
Sou a brisa marítima
Sou o bloco de mármore
Sou o fruto doce do paladar
Sou o cheiro do tabaco
Sou a pureza da infância
Sou a experiência da história
Sou o maleável e o duro
Sou o firmamento
Sou o norte e o sul
A razão e o amor
Sou um coração que debocha sua utilidade
Sou a animalidade na minha razão
Eu sou o belo
Eu sou o feio
Eu sou a compaixão
E sou o ser humano
domingo, 19 de setembro de 2010
Luta!
Gostaria eu, de declarar boas novas
Acreditar na consciência
Desfazer os desentendimentos correntes
Auto-proclamar a libertação
Livra-me e a nós, dos demônios habitantes
Respeitar e bendizer estes corpos
Estas veias, este sangue que corre e se esparrama
Nesta cabeça e alimenta a esperança
Deveria eu, perseverar e não amainar quando cansar
Predizer todas as orações corajosas e fiéis
Reconfortantes ao ouvido, acalentante ao coração
Humus desta carne humana, mais que humana
Estranha a razão ou emoção dominante
Mas hoje digo apenas o que vale
É a luta, não há ideal, nem fim
É o meio que diz por si só
o que se faz acreditar.
A luta é a única fonte verdadeira de purificação
e afogamento destas paixões.
Acreditar na consciência
Desfazer os desentendimentos correntes
Auto-proclamar a libertação
Livra-me e a nós, dos demônios habitantes
Respeitar e bendizer estes corpos
Estas veias, este sangue que corre e se esparrama
Nesta cabeça e alimenta a esperança
Deveria eu, perseverar e não amainar quando cansar
Predizer todas as orações corajosas e fiéis
Reconfortantes ao ouvido, acalentante ao coração
Humus desta carne humana, mais que humana
Estranha a razão ou emoção dominante
Mas hoje digo apenas o que vale
É a luta, não há ideal, nem fim
É o meio que diz por si só
o que se faz acreditar.
A luta é a única fonte verdadeira de purificação
e afogamento destas paixões.
Assinar:
Postagens (Atom)