
Eu queria ser pipa.
Eu queria ser livre.
Eu não queria ser nenhum, nem outro.
Queria, ser dominada por mãos que rebentam de felicidade ao ter meu domínio, queria eu, ser abruptamente perdida no ar, no tempo, no espaço, ser nada, ou ser tudo.
As mãos que agora me possuem, não me retém, o tempo que me liberta, me oprime, a vontade de ser, e não poder, me alivia, me acomoda, me deixa ser guiada por um outro.
Guiada pelo próprio tempo, pelo próprio vento, orientada, para ser sempre, e talvez acabar por sempre ter sido. No mais alto dos céus, o sonho humano alcança, no mais profundo abismo da terra, o homem, não é livre. Não é pipa, não tem vento, é um calor abafado da certeza de que não se pode ser feliz, nem que pode ser para sempre.
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