A desgraça é um luxo.
A desgraça me dá tudo que eu quero.
Me dá a tua vida, a tua alma,
A fraqueza de qualquer coisa que anda por ai
A desgraça paga o pão que devoro.
A boca que consome.
A vida oprimida
A desgraça justifica toda a minha escolha.
Da carne que perece
Como urubu devoro.
Não me interessa o resto.
Que resto?Senão a própria desgraça
Com ela tudo vai e tudo vem
E desse não sobrar ou ficar.
A glória.
A desgraça é minha tábua de salvação
A minha,
Porque da tua; eu já comi.
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