Eu tive fome,
E bebi água barrenta para passar.
Eu tive sede,
e não tinha água, adormeci.
Eu quis plantar
Mas não tinha terra.
Eu tive frio
e um jornal foi para esquentar.
Eu adoeci e sofri.
O doutor não chegou e eu morri.
Eu quis vida, liberdade,
e tudo me foi negado.
Eu não sei para quê, mas chamam de dignidade...
Esta eu acho que nunca terei.
Porque eu não sou letrado,
sou mulato, sou favelado,
sou indigena, sou mulher,
sou gay, sou deficiente,
sou feio, burro e tolo.
No fundo acho que não sou gente.
Ter consciencia dói muito. Dói na alma. Fere a carne e não tem cura. Ter consciencia é martírio de quem se descobre e não se encontra.
ResponderExcluirDizem que ignorancia anestesia. Prefiro a dor lacinante da consciencia.