No lugar do meu coração tem um buraco.
Onde posso colocar, como numa cesta,
tudo que desejar.
No entanto, só cabem levezas,
sutilezas, ele não comporta
A brutalidade, peso da vida.
Buraco das trivilalidades,
você poderia chamar,
preenchê-lo é fácil,
não requer acuidade, ou embaraço.
É só pôr e repôr,
tem que se manter,
assim como coisas banais,
em minutos há um buraco farto.
O peso da vida eu não quero,
ou ao menos, disseram que não valia a pena
que se tem pouco tempo;
para optar
se, se quer uma cesta
ou um poço de barro
que suporta e é escuro,
e deixa lá os pesares da vida.
Eu tenho um buraco,
que apesar de cheio está vazio,
eu não tenho um poço,
e apesar disso,
sinto como se tivesse.