domingo, 19 de setembro de 2010

Sou feito de carvão
Porque eu sou brasa
Esquento e inicio um processo lento e gradual
Aqueço a ponto de desfazer-se mim
Nasço na brutalidade dessa natureza
Extrai-se de mim o que sempre se espera
Tenho um fim premeditado como todos iguais a mim
Pereço e diferente; como cinza, acabo assim.

domingo, 5 de setembro de 2010

A liberdade é conquistada a duras penas, renuncia-se a própria liberdade, do corpo e das instituições, renuncia o amor de si. Transcende a carne e as próprias idéias. Ser livre é não estar neste mundo e lugar nenhum. Ser livre é mais do que a própria sensação de caminhar sem parar, beber sem sentir sede, acalentar-se sem haver neblina. A liberdade é tão sofrida que ela mesma não supera sua definição ou ensejo que inspira. Não está vinculada há um inicio ou um fim. Mas um meio para onde não se tem definição, certeza. Vinculada a tua existência de fato e não de direito. Se quiser liberdade, mas a liberdade não está em lugar nenhum nem se finca num corpo e espírito. Ela anda a milênios na boca, na história, na teoria, na ideologia. Está ai e ninguém viu ou pode tocar. Está onde não se vê, nem se ouve, está no âmago de um processo perpétuo

domingo, 22 de agosto de 2010

É tanta coisa que transborda a cabeça
que não cabe na boca,
foge da cabeça,
rompe com toda a lógica e
se esparrama por palavras
frases e poemas para escrever.

Sufoca o peito
dispara este coração,
respiração descompassada,
tudo por uma coisa
que desde sempre
todos aqueles que desceram da árvore
nem todos, talvez,
a querem.

És tu, aquele que lê ou sente, ou sabe
ou não, que se esborraxa.
Por estas palavras e ações.
Felicidade.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Não há nada de excepcional em ser o que se é.
Mas, talvez seja isso, que desperte em alguém.
Que num acaso, ou num lapso temporal.
descubra em você uma nova filosofia,
uma paixão.
Ou quem sabe algo realmente importante
de modo, que grite aos olhos.
E seja um eco perpértuo, no que diz
ao que ficará para sempre no meu coração.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

.Óbvio

Fico feliz com a não obviedade de algumas coisas,
Seriam elas as razões porque nos equivocamos com o tempo,
Com as pessoas, com o próprio corpo, com o espírito
E sua suposta razão.
Pareceria obvio dizer que existem razões que nos levam a crer.
Óbvio dizer que a transladação tem a duração de 365 ou 366 dias,
Como quer que seja sua definição
Que a água é um elemento, junto com o fogo, a terra e o ar.
Que o amanhã vem depois de hoje,
E que óbvio se escreve com B mudo, porque fizeram assim a regra gramatical.
Tudo seria óbvio, se não se esparramasse no tempo,
E fosse maquinal mente, passado e repassado.
Seria óbvio se sua própria existência permite, e assim o é
Que não seja para sempre,
O óbvio já arrancou cabelos, palmas, governos,
Tudo num processo historicamente construído, definido,
Mas isso seria óbvio demais; não?

domingo, 15 de agosto de 2010

Aceitar as pessoas como elas são;
Talvez, seja a coisa mais difícil de se fazer.
Aceitar que suas idéias não serão compatíveis sempre as nossas;
Talvez, porque sejam melhores, de onde ainda não chegamos para ver.
Aceitar que uns morrerão enquanto outros viverão;
Talvez, porque haja um momento para se morrer e outro para se viver.
Aceitar que o diferente;
Talvez, seja tão e somente igual a mim.
Aceitar que o outro é parte de mim;
Talvez, permita assim, que um dia possamos dizer que;
Aceitamos que somos uma humanidade.
Queria ajustar o tempo,
E dizer que as escolhas feitas foram minhas,
Retomar os velhos amigos, as velhas histórias
As velhas coisas já esquecidas
Mesmo que hoje, parecessem obsoletas

Queria ajustar o tempo pro futuro,
Para predizer o que poderia sofrer ou ter
Conquistar novos espaços,
Pluralizar novas paixões
Adormecer com a certeza de se viver
Ou de se morrer
Perto ou longe.

Queria ajustar a vida
Os sentidos
As fases
A razão para não podê-lo
É que elas acontecem
Como água da nascente até o seu próprio fim
Passa sem se ver, sem se perceber
E ter a impressão de que tudo sempre foi, será e é igual
Mas foi também e o será ao mesmo tempo diferente
Como numa única explicação
O oposto de sua própria razão de ser.