terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ninguém

Os anarquistas já morreram.
Suas lembranças outrora vívidas.
Hoje insípidas.
Insólitas.

Ninguém se importa,
Ninguém luta, ninguém ama.
Ninguém se encanta.

A minha luta é viver,
Quem vive?
A minha opressão está em ser.
Está na tua anarquia.

Está em ninguém abrir a mão
E dar a alma.
Está em passar
E apenas sobreviver.

Devoro.

Das rosas eu devorei um caminho.
Devorei a esperança e a cor delas.
Como quem espera muito, recebi pouco
Me acalento com os resquícios de sombras.

Me acalento com a sua prematura partida.
Eu quero rosas, não as tenho.
Devoro como se fosse carne humana.
Devoro como se a minha face jamais envelhecesse.

Disparo contra elas a minha ira.
Minha melancolia, e a incerteza.
Porque as minhas rosas.
Devoro faminta.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Teu, meu.

Não posso me trair.
Dar-te-ei minha alegria.
Mas não pode ser para sempre.

Não posso te trair.
Te levarei comigo sempre e sempre.
Por mais que eu fuja, me esconda.
Dar-te-ei minha alegria.

Não posso, e não devo me esquecer.
Que quem muito escolhe deixa perecer.
Quem muito não vê, não vive.
Quem muito se trai, não dá alegria alguma.
Senão apenas sua própria traição.