terça-feira, 29 de junho de 2010

Eva pagã.

Sou pagã como a puta da esquina.
Como quem prega um Deus morto.
Sou pagã como o amante.
Como quem diz que ama a alguém.
Sou pagã como quem ama criancinhas.
Como quem as viola de sua pureza.
Sou pagã como quem concorda com esse sistema.
Como quem ama ser hipócrita e sabido ao mesmo tempo.
Sou pagã como quem não se banhou.
Como quem só teve tempo de dizer: É isso.
Sem que saiba o que essas palavras significam.

Agente, na vida?

Agente vai ter fome,
Como a menina que vende frutas e não pode comê-las
Agente vai ter sede
Como aquele que serve, mas ninguém vê
Agente vai ter frio
Como quem não ama
Agente vai ter medo
Como quem não vive
Agente vai ter desespero
Como quem embriaga a vida, achando que pode fazê-la bonita
Mas sem um barato, ela volta a cor de sempre
Agente vai se cansar
Como eu, que desta vida que nada posso levar
Agente vai se permitir
Esperar como o enfermo numa guerra
Agente vai amar e não ser amado
Agente não vai perdoar nem ser perdoado
Agente vai esquecer e ser esquecido
Agente vai sobreviver e morrer
Agente vai ser o que não quiser e quiser
Agente vai ser um personagem numa história
Em que o fim se faz hoje
Neste decrescer, neste crescer,
Um dia um nascer, amanhã crepúsculo.
Eu queria um toco de vela, para clarear minhas idéias.
Queria um pedaço de folha para escrever um comentário.
Uma caneta para rabiscar um sonho.

Queria coisas materiais para transmitir emoções.
Queria histórias para combinar com fatos simplórios.
Queria imagens confusas para explicar fumaça de boas coisas.

Pedaço de carvão para o desenhista.
Um personagem para o contista.
Uma modelo para uma fotografia.
Uma esperança para quem já está morto.
E tudo isso numa vida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Apagaram um passado com a peneira
Castraram, mutilaram almas em tempos presentes
Deram a quem queria o direito de trucidar,
Violar, detruir tudo que não é humano

Continua e continua como uma religião
de escárnio e nojo ao diverso
O sub humano não tem alma
não tem vida, dignidade
e disseram que a lei são para todos
e de fato é mas só
para quem pode matar!

ps* tortura vergonha inadimissivel!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Deram me uma coisa,que não sei para que serve.
Me deram o direito dse escolher.
Mas para quê, para onde?

Foi me dado isso ao nascer, mas usurpam-me a todo tempo.
Escolhas que renunciam a isso.
Decisões antagônicas, mas necessárias.

Meus braços não comportariam segurar essa coisa.
Minhas costas cansadas, certamente não suportariam por muito tempo.
No entanto a escolha é só uma falácia.

Dizem que o nome da coisa é Liberdade
Mas para que serve; ainda não sei.