Agente vai ter fome,
Como a menina que vende frutas e não pode comê-las
Agente vai ter sede
Como aquele que serve, mas ninguém vê
Agente vai ter frio
Como quem não ama
Agente vai ter medo
Como quem não vive
Agente vai ter desespero
Como quem embriaga a vida, achando que pode fazê-la bonita
Mas sem um barato, ela volta a cor de sempre
Agente vai se cansar
Como eu, que desta vida que nada posso levar
Agente vai se permitir
Esperar como o enfermo numa guerra
Agente vai amar e não ser amado
Agente não vai perdoar nem ser perdoado
Agente vai esquecer e ser esquecido
Agente vai sobreviver e morrer
Agente vai ser o que não quiser e quiser
Agente vai ser um personagem numa história
Em que o fim se faz hoje
Neste decrescer, neste crescer,
Um dia um nascer, amanhã crepúsculo.
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