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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Não sabia.

Não sabia, não sabia, quando deixou de amá-lo.Na sua cabeça, aquilo deveria ser um amor eterno, haviam dito aos seus amigos e familias que era assim que pensavam, que se trata de amor, aquela festa, o branco, o brinde, o anel, a formalidade, aquilo era firmar e confirmar, de que amor ambos falavam.Mas agora, agora já não sabia.Onde?Quando?Como?Aquilo havia acontecido.Sua razão assim dizia que há pouco tempo, suas emoções sequer lhe permitiam desdizer a razão.Não sabia o que fazer...Romper, dizer adeus, afastar-se, já não sabia, afinal, quem podia pensar que aquilo aconteceria.Não, ela não sabia.Era tudo tão confuso, que nem sabia como lhe diria, e se lhe diria em breve...Ela não sabia.Marina fechou o livro e foi jantar, não gostara muito daquela mulher que não sabia...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ele doente, ela doente.

Ela se mexia, se revirava todas as noites, aguardava por ele.Ansiava se livrar por esse tipo de tormento; já havia feito todo tipo de promessa.Agonizava e implorava a quem ouvisse que isso logo acabasse.
Ele por sua vez chegava sempre do mesmo jeito,lá pelas tantas, acabado, outro, fatigado, consumido pelo alcool, desconexo, vergonhoso, desabido.
Ela sempre remoia o assunto, no dia seguinte e seguinte. E assim, passaram alguns anos, rugas avincaram em seu rosto, seu conformismo e impotência já havia se tornado imperiosos, não havia tido trégua alguma, naquele estilo de vida dele.Um dia porém, após uma desgraça, um acidente, uma quase morte, uma chance de se acabar de vez, ele resolvera que era hora de se tratar.Hora de estabelecer uma regra em sua vida.Ela mais que feliz, como um sonho juvenil se agarrara a essa felicidade.Livre de preocupações, de dissabores, a ausência da angústia, do remexer todas as noites, da espera, agora era ela que adoecera.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ela, ele, uma estória?

Ali estiveste tu,
Dizendo a ele, para não partir,
E ele, a você implorando para não dizer.
Declaraste a ele seu amor
E seus votos de eternidade.
Suprema felicidade num balançar dos corpos.

Ele a ouviu, assentiu,
Mas não preservou o que você viu,
As palavras o oprimiram,
Arrebatou-lhe o coração e a razão...
Não seria pedir ou desejar demais?
Não seria poder dar menos?

Ai, sobrou nós,
Eu vi só de longe,
Ou de perto?Como ouvinte?
Como pulso?
Como um estranho?

Não é a mera estória de alguém
Nem fruto de imaginação
É só mera repetição de um conto
Infeliz; de banca de jornal.