sábado, 22 de maio de 2010

Vicio.

tenho como vício
tecer loucas teorias,
explicar ideias,
sentir coisas.

Tenho como vício
supor que sei,
mas no fundo, como;
uma profunda escuridão
não sei.

tenho como vício
dizer coisas inaudíveis
para mim mesma,
para que,
não venha
a acreditar nelas.

Tenho como vício
a escravidão da vida
que nada tenho
ou reterei.

essa incerteza,
essa mutabilidade,
o constante vir-a-ser.
é que, hoje, faz ser eu
um vir-a-ser.
O que sou?
Quem sou?
Sou o que?
Sou quem?
Mesmo que venha
a dizer o que sou.
Não serei
afinal não dizer,
é que me diz
quem sou.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Felicidade natimorta

Ela, sucumbira a dor de existir,
sucumbira a uma vida mediocre,
em sua casa, ninho fecundo,
Natimorto era, desde que abidicastes de sonhar,
ou abdicastes de sonhar para viver.

Montara na cabeça a vida perfeita,
como pano de fundo um casamento, um namoro, um amor,
mas como dissera, de si,
saira apenas algo natimorto.

Nessa perpetuidade ela vivera,
e, ainda vive, acostumou-se a ideia vã
de que não mais adianta rebelar-se
debater-se à um futuro diferente.
Quem sabe até, tenha ela razão.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Num recorte de jornal ao lembrar de mim, uma amiga me presenteou com uma coluna, segue um trecho.Não sou tudo o que dizem, mas imensamente grata!

"...Cada pessoa é única, e é por aí que acontece o amor; ela é única em seus traços físicos, em sua inteligência.É só cultivar o que temos de mais precioso, essa "unicalidade", para se destacar num mundo em que todos estão cada vez mais iguais.Não é questão de ser mais, nem de ser diferente apenas de ser única..."

Não é o dinheiro, as coisas, as formas, que nos fazem felizes são as ideias e a eternidade das pessoas que dão sentido aquilo que ainda pode ser, mesmo que não o seja para sempre!

domingo, 25 de abril de 2010

Não, fale, nem diga!


João, não diga que não amas mais a ela.
Não diga, que o que hoje sente é partido.

Não diga que é pedaço mitigado.
Pedaço esfarelado, poeira parecida.

Não a ama mais.
Mas não diga.

A força da partida nos diz:
Não diga!

Não dói o não saber.
Dói para qualquer.
Indistintamente.
Dizer, por mais que não o pareça.
Sou a constância de uma pedra.
E a eternidade de uma ideia.
Pertenço a natureza morta,
das coisas separadas, vazias.

Mas,
sadias, pois a plenitude,
advém do vácuo.
Dado o presente continuo,
a ser um vácuo na eternidade.
Passagem da constância eterna.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tem gente.

Tem gente que tá junto e tá longe.
Tem gente que nem aqui está.
E também não o queria.

Tem gente que tem corpo.
Mas não tem alma.
Tem gente que tem Karma,
mas não tem massa.

Tem gente que é por que é
Não porque quer.
Depois da hora.
Agente não é mais ninguém.
Ou será que é gente?Ainda.