segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não há razão nenhuma para chorar
Ainda mais se lamentar
Tudo vai passar
Assim como um temporal veranil
Que de repente acontece
A formação de nuvens nebulosas
A escuridão que encobre o sol
Da mesma forma é esta vida,
A tua, ou a do outro, não se diz
Mas, sim esta vida
A água que corre da chuva e se assenta na poça
E foge do asfalto
Que entope
Afoga, desespera e limpa
Acontece, mais rápido que se imagina
Assim como a vida que se passa
As duas se confundem
Podem ser contadas e somadas pelos veranis
Sem que muito importe ou deixem que se passe
Esta vida,
Este temporal
Cairá na estação
Assim como a lágrima que esgota a dor
E traduz a solidão
A lágrima que limpa suas próprias veias
Suas próprias razões para a tempestade da alma
Vem e passa, é só a chuva de verão
Como a brevidade desta vida.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Não sou.

Não sou importante ao ponto de ser inesquecivel.
Não sou fantástica para adentrar a eternidade.
Não sou especial para ser enaltecida.

Sou mediana, superficial às questões mundanas.
Sou do meu modo e do meu corpo.
O usufruto perpétuo das palavras e escolhas.

O supra sumo desta fisiologia.
A mediocridade da existência.
A malidicência da pureza.

Sou o pecado na sua propria gênese.
E a remissão dos mesmos quando implorados.
Não serei imolada nem canonizada.

Não porque me valha o ser.
mas seria contraditório.
ser o que não se quer ser.

Porque nascem da mesma fonte.
A beleza e o feio, o erro e o acerto.
Nasce de mim a magia e a especulação.

Sou tão baixa ou rebaixada.
na taxação do perfeito, que
Felizmente sou assim.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Meus olhos estão quentes
Como a larva de um vulcão que arrebenta
Como água fervente
Minhas pálpebras dormentes
Cansadas e insatisfeitas, mas gastas

Minha boca está fria
Como o alto das montanhas
Num inverno rigoroso
Minha língua seca, frigida e assolada
Imóvel e sem serviço

Meus ouvidos estão vulneráveis
A temperatura que se aproxima
A espreita de ser possuída
Pelo frio ou calor
Ou que bendito seja; esquecido

Minha têmpora indiferente
A quem quer
Ou o que se avizinhe
Meus sentidos estão perdidos
E falidos
Não há vida que resolva a solução
Dada pela própria natureza
A vergonha.

sábado, 6 de novembro de 2010

Somos...

Somos a esperança do nosso próprio tempo...
a necessidade da geração passada...
somos fruto de combinações...
inflexão e reflexão da nossa existência...

Somos fruto da nossa condição
e da ação somos escravos
pois a convicção é só a alma da criação.

O interesse, a necessidade e a paixão são uma única coisa
como a própria vida que se transveste de várias formas
tomando o inicio e o fim como apenas um lapso da dialética

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É preciso estar aberto.

É preciso estar aberto ao mundo das pessoas
estar aberto e consciente da própria voz que ressoa
da alma e do coração
É preciso estar aberto ao mundo real
realidade esta tangível e tão pouo refletida
mecanizada como o próprio expirar e inspirar
É preciso estar aberto ao mundo do prórpio mundo
das coisas naturais, artificiais mutáveis.
É preciso estar aberto ao mundo da alegria
que fugaz como o fogo, precisa ser alimentado, acalmado quando possivel
mas chama eficaz, sempre contra a banalidade.
É preciso estar aberto ao mundo do prórpio eu
para que se diga e se repita
que sem mim , nem o mundo nem o poeta teriam alegria.

Se é.

Se é empurrado neste mundo
Sem direito a escolha ou voz.
É jogado-se ao mundo empírico
E se ensinado o mundo teórico
E depois ainda, ensinado quando e a hora de cada um.

Se é jogado, muitas vezes,
Sem escolhas ou refúgios
No deserto árido das civilizações
No aprendizado calejante da
Própria existência.

Se é levado pelas multidões e
Limitações materiais.
Usurpado nossas esperanças.
Vindo e partindo apenas.

Se é remado para as profundezas.
Do escuro e para o mais alto da clareza
Ou a mesma medida diversa.

Se é carregado pelas mãos e pelos pés
De quem serve aos outros
De quem só pode ser empurrado.

Se é tomado a própria existência
Quando dela mal se percebe a efemeridade.
Mal se nota a importância.
Quando o sacro está acima e não ao lado.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Gente?

Eu tive fome,
E bebi água barrenta para passar.
Eu tive sede,
e não tinha água, adormeci.
Eu quis plantar
Mas não tinha terra.
Eu tive frio
e um jornal foi para esquentar.
Eu adoeci e sofri.
O doutor não chegou e eu morri.
Eu quis vida, liberdade,
e tudo me foi negado.
Eu não sei para quê, mas chamam de dignidade...
Esta eu acho que nunca terei.
Porque eu não sou letrado,
sou mulato, sou favelado,
sou indigena, sou mulher,
sou gay, sou deficiente,
sou feio, burro e tolo.
No fundo acho que não sou gente.