Eu tinha uma história,
longa e sincera,
Eu tinha pessoas,
melhor anjos e demônios
Anjos porque me afagavam
Demônios porque não me deixaram arrefecer.
Tinha eu ideias e escolhas,
Haviam momentos e tempos
Tinha-se de tudo dentro de uma única pessoa
Tinha-se vida e morte
Porque se morria a todo instante
e se vivia toda uma vida
Tinha e havia
podia e se era
Hoje, ainda é,
porque você meu anjo e demônio,
meu tempo e minha atemporalidade
é e foi, e o será uma coisa mais verdadeira que a próprio nome
ou o sangue que circula sobre nossas veias
Verdadeiro porque sua companhia me faz amar e me sentir amada
e poder hoje dizer
Agradecida meu GRANDE amigo
quinta-feira, 22 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Sentada numa pedra.
Analisando o que te circunda.
vendo em suas próprias experiências
o que fizera.
Remoendo talvez; suas culpas
saboreando tardiamente
sucessos eventuais
Permitindo reler sua própria vida
O que fizera ou postergara dela
Buscando caminhos ou desejos
que ainda a possibilitassem recomçar.
mas é tarde
o passado é uma borboleta ou uma abelha
o futuro uma mosca
o presente qualquer verme que no dia de minha morte
me consome
Analisando o que te circunda.
vendo em suas próprias experiências
o que fizera.
Remoendo talvez; suas culpas
saboreando tardiamente
sucessos eventuais
Permitindo reler sua própria vida
O que fizera ou postergara dela
Buscando caminhos ou desejos
que ainda a possibilitassem recomçar.
mas é tarde
o passado é uma borboleta ou uma abelha
o futuro uma mosca
o presente qualquer verme que no dia de minha morte
me consome
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Amor.
O amor é uma coisa linda
Não porque é sobre-humano,
travestido de anjos ou sublimação.
Mas porque brota de coisas
estranhas e inócuas
Porque acomete sem pedir passagem.
É bonito porque nasce e morre
e renasce como se fosse impossível
esgotá-lo ou satisfazê-lo
É bonito porque não é irracional
tão racional se faz que não consigo
descrever suas escolhas.
É bonito porque cada apaixonado
o vê por olhos seus uma imagem
que não se pode transmitir, dada
sua singular visão.
É bonito porque guarda
consigo o mais mal-querer,
que se é padecer e morrer
por uma coisa que não se sabe nominar.
Não porque é sobre-humano,
travestido de anjos ou sublimação.
Mas porque brota de coisas
estranhas e inócuas
Porque acomete sem pedir passagem.
É bonito porque nasce e morre
e renasce como se fosse impossível
esgotá-lo ou satisfazê-lo
É bonito porque não é irracional
tão racional se faz que não consigo
descrever suas escolhas.
É bonito porque cada apaixonado
o vê por olhos seus uma imagem
que não se pode transmitir, dada
sua singular visão.
É bonito porque guarda
consigo o mais mal-querer,
que se é padecer e morrer
por uma coisa que não se sabe nominar.
O desespero acontece a todo momento
Parte ao meio nossa alma.
mergulhar nosso corpo em uma luz.
Que ao fim desta, está num grande
vácuo e negro fundo.
Que se faz quando se está assim?
Desperta de um pesadelo estúpido
e descarta a existência como
laranjas podres jogadas num lixo.
Que se pode fazer com o que é invitável?
Como correr para aquilo que é movediço
Quando transpõe-se este infortúnio
Ó imenso pasto, que qualquer vaca me come.
E eu nem pude descartar, ou
me despedir dessa ignóbil vida.
Parte ao meio nossa alma.
mergulhar nosso corpo em uma luz.
Que ao fim desta, está num grande
vácuo e negro fundo.
Que se faz quando se está assim?
Desperta de um pesadelo estúpido
e descarta a existência como
laranjas podres jogadas num lixo.
Que se pode fazer com o que é invitável?
Como correr para aquilo que é movediço
Quando transpõe-se este infortúnio
Ó imenso pasto, que qualquer vaca me come.
E eu nem pude descartar, ou
me despedir dessa ignóbil vida.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Eva pagã.
Sou pagã como a puta da esquina.
Como quem prega um Deus morto.
Sou pagã como o amante.
Como quem diz que ama a alguém.
Sou pagã como quem ama criancinhas.
Como quem as viola de sua pureza.
Sou pagã como quem concorda com esse sistema.
Como quem ama ser hipócrita e sabido ao mesmo tempo.
Sou pagã como quem não se banhou.
Como quem só teve tempo de dizer: É isso.
Sem que saiba o que essas palavras significam.
Como quem prega um Deus morto.
Sou pagã como o amante.
Como quem diz que ama a alguém.
Sou pagã como quem ama criancinhas.
Como quem as viola de sua pureza.
Sou pagã como quem concorda com esse sistema.
Como quem ama ser hipócrita e sabido ao mesmo tempo.
Sou pagã como quem não se banhou.
Como quem só teve tempo de dizer: É isso.
Sem que saiba o que essas palavras significam.
Agente, na vida?
Agente vai ter fome,
Como a menina que vende frutas e não pode comê-las
Agente vai ter sede
Como aquele que serve, mas ninguém vê
Agente vai ter frio
Como quem não ama
Agente vai ter medo
Como quem não vive
Agente vai ter desespero
Como quem embriaga a vida, achando que pode fazê-la bonita
Mas sem um barato, ela volta a cor de sempre
Agente vai se cansar
Como eu, que desta vida que nada posso levar
Agente vai se permitir
Esperar como o enfermo numa guerra
Agente vai amar e não ser amado
Agente não vai perdoar nem ser perdoado
Agente vai esquecer e ser esquecido
Agente vai sobreviver e morrer
Agente vai ser o que não quiser e quiser
Agente vai ser um personagem numa história
Em que o fim se faz hoje
Neste decrescer, neste crescer,
Um dia um nascer, amanhã crepúsculo.
Como a menina que vende frutas e não pode comê-las
Agente vai ter sede
Como aquele que serve, mas ninguém vê
Agente vai ter frio
Como quem não ama
Agente vai ter medo
Como quem não vive
Agente vai ter desespero
Como quem embriaga a vida, achando que pode fazê-la bonita
Mas sem um barato, ela volta a cor de sempre
Agente vai se cansar
Como eu, que desta vida que nada posso levar
Agente vai se permitir
Esperar como o enfermo numa guerra
Agente vai amar e não ser amado
Agente não vai perdoar nem ser perdoado
Agente vai esquecer e ser esquecido
Agente vai sobreviver e morrer
Agente vai ser o que não quiser e quiser
Agente vai ser um personagem numa história
Em que o fim se faz hoje
Neste decrescer, neste crescer,
Um dia um nascer, amanhã crepúsculo.
Eu queria um toco de vela, para clarear minhas idéias.
Queria um pedaço de folha para escrever um comentário.
Uma caneta para rabiscar um sonho.
Queria coisas materiais para transmitir emoções.
Queria histórias para combinar com fatos simplórios.
Queria imagens confusas para explicar fumaça de boas coisas.
Pedaço de carvão para o desenhista.
Um personagem para o contista.
Uma modelo para uma fotografia.
Uma esperança para quem já está morto.
E tudo isso numa vida.
Queria um pedaço de folha para escrever um comentário.
Uma caneta para rabiscar um sonho.
Queria coisas materiais para transmitir emoções.
Queria histórias para combinar com fatos simplórios.
Queria imagens confusas para explicar fumaça de boas coisas.
Pedaço de carvão para o desenhista.
Um personagem para o contista.
Uma modelo para uma fotografia.
Uma esperança para quem já está morto.
E tudo isso numa vida.
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