quinta-feira, 30 de abril de 2009

As nossas asas



Um suspiro de vida, uma luz no penhasco.

Uma passagem numa eternidade.

Presságio da minha alegria.

Ela, ela sim supôs que os pormontórios, estavam além de seus sonhos, de sua imaginação.Supôs que suas asas coladas, eram sobra de uma esperança de ser grande.

Ela supôs e não fez.Supôs e não quis.

Agora, não mais suspiro,agora, vida que desperta...

Ela cresceu, surgiu, descolou-se da casca, cuidou das máculas, permitiu ser.

As asas antes pesadas, desperdiçadas, arrastadas.Hoje, pilar, força, pernas remendadas, mas pernas, quando usadas, tão importantes quanto a sua vontade de ser....

Ela que dança, canta, esconde; talvez não seja nunca, mas hoje já é.

É a certeza de que meus olhos se erguerão, minha vida se alegrará, minha completude está em também ser parte dela.A alma que é pequena, não é frágil, também não é forte, é apenas a alma que se enobrece por cada um de nós!

E a minha alma, não tem sentido sem a alegria das asas dela.

terça-feira, 28 de abril de 2009

E eu,

E eu, que já tentei tantas vezes.
E eu, que já perdi a valsa.
Já me descompasei da dança

E eu, que não mais aprendi.
E eu, que não mais quis.
Já me perdi, desiludi.

E eu, que num rebento chorei.
Chorei a dor das flores.
A dor das estrelas.
A dor das minhas alegrias.

E eu, que demonstrei.
Mostrei num suspiro.
Uma paixão.
Uma alegria.
Uma miséria.

E eu, que nunca dancei.
Nunca sorri.
Nunca fui.

Eu já perdi....
A valsa, o rebento.
A vida que inebria.

E eu, que já perdi o retrato das nossas almas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Reflexo


Eu não me vi no espelho.Eu me enxerguei no espelho.

Não vi a mim, vi a quem me diz.

O reflexo era nobre, e coberto.A minha face, não vi, não mudei, não passei, fiquei e por isso não mudei.

A vida é crua, deserta, árida.A minha pele, eu sinto,dói, passa, machuca, passei e por isso mudei.

O contraste do que sou, do que eu não sou, está no espelho.Enxergo o que quero.Não vejo máculas, não vejo nada, nem a mim.

O que sou é que sou.Não reflito, não ajo, sou o que sou sou reflexo do que eu não sou.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ploc!


Ploc! pula, estora, queima, torra, tranforma...

Salta, muda.

Eu gosto de pipoca.Tudo o que muda não me apetece, sou como pedra, que nada muda inspira....

Ou será que sou como pedra, que se desintegra, areia se tranforma, rochedo novo que protege?

Eu acho que sou pipoca, estorei, inchei, cresci, fui devorada.

Eu acho que sou pedra, envelheci, rui, acabei, pó, fortifiquei.

Eu não sou mais que eu, mais que pedra, mais que pipoca, mais que vento, mais que sonho.Eu sou, mas eu também já fui.Eu sou mais eu também serei.Eu sou mais eu sempre mudarei.

Pipoca, pedra.Pedra, pipoca.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

eu que não escolhi




Um caminho eu não percorri
Escolhas que eu não fiz.


Passos que não dei
Desejos que não realizei


Medo? Cansaço?
Preguiça? Desespero?


Eu não percorri, o tempo se esvai, o vento sopra...
É tarde, é calmo, é amargo, é estúpido.


Um caminho que eu não percorri.Eu não quis, eu não fiz.
Me encontrei com o nada, fugi para canto nenhum, me escondi na minha sombra.


E eu que não escolhi, não vivi!
E eu que não vivi, não escolhi!

Já foi, não doeu, viver não me encanta, não me apetece.
Sou covarde demais para aceitar viver.
Pior que nem doeu.
Pior que nem doeu.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"... Do you need anybody,I need somebody to love.Could it be anybody, I want somebody to love..."
Quem precisa de amor?
Quem tem fome de amor?
Quem enlouquece por amor?
Eu preciso de amor.
Eu tenho fome de amor.
Eu enlouqueço por amor.
Eu não sou nada, somos todos um só
Eu sou amor, eu sou a dor.
Me perco, engano, finjo.
Eu sou.
Amar é.
Amar é.

domingo, 5 de abril de 2009

Quando pequenina acreditava nos meus sonhos, acreditava em papai noel, acreditava em ovos de páscoa, acreditava nas minhas esperanças.
Quando pequenina desejava ser grande, ser forte, ser velha, ser jovem.
Quando pequenina eu acreditava em tudo, acreditava em mim, em você em tudo que caminha e progride, acreditava que existia justiça, que existia liberdade, que existia verdade.
Como eu queria acreditar. Não creio. Justiça é apenas justiça, liberdade é propaganda de jornal, verdade é a minha.Como era possível viver e não saber.....Como era e jamais serei.Como o futuro, é uma repetição de um passado, que nunca vai mudar.
Só reproduzo a raça humana, que de nada se apieda ou se contenta, reproduzo a mim, a tua mãe ao teu avô, somos as mesmas esperanças nos mesmos acabados corpos, somos corações desesperados de humanidade, sou uma lágrima contida.

Será
Como?
Doce?
Hum......
Que teu doce, seja o meu coração, que o teu encanto seja a minha loucura, que a sua realização, seja a minha vida.
Tomada por um encanto, pelas coisas pequeninas, tomada pela ânsia de me libertar.
Me leve com você deixe eu te guiar, deixa a vida nos enganar, como o doce que adoça, como o chiclete que gruda, como o chocolate que derrete.
Que louquejar, seja mais saboroso que viver!
Que eu me lambuza da tua alegria, e me regozije da esperança.
Que nunca acabe o doce da tua boca.