quinta-feira, 27 de maio de 2010

Achei que pudesse tocar o coração, sem precisar passar pelas feridas ou pelas afirmações.
Passar pelo mais humano, a mim é estranho.
Mesmo que seja eu, igual, não sei tocar sem de alguma forma me perder.

Perder de minhas próprias ideias para tocar.
Perder a própria sensibilidade e machucar.
À quem nem direito dei de se defender

Sempre soube, e talvez, saibam todos, que não há habilidade.
Para tudo aquilo que acontece, com ou sem força mediata de um destino.
Construi uma coisa que não posso mais controlar, ou posso, como não sei.

Como um fluxo ininterrupto de ideias, desejos e matéria.
Eu escrevi no teu amor a minha ideia.

sábado, 22 de maio de 2010

Vicio.

tenho como vício
tecer loucas teorias,
explicar ideias,
sentir coisas.

Tenho como vício
supor que sei,
mas no fundo, como;
uma profunda escuridão
não sei.

tenho como vício
dizer coisas inaudíveis
para mim mesma,
para que,
não venha
a acreditar nelas.

Tenho como vício
a escravidão da vida
que nada tenho
ou reterei.

essa incerteza,
essa mutabilidade,
o constante vir-a-ser.
é que, hoje, faz ser eu
um vir-a-ser.
O que sou?
Quem sou?
Sou o que?
Sou quem?
Mesmo que venha
a dizer o que sou.
Não serei
afinal não dizer,
é que me diz
quem sou.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Felicidade natimorta

Ela, sucumbira a dor de existir,
sucumbira a uma vida mediocre,
em sua casa, ninho fecundo,
Natimorto era, desde que abidicastes de sonhar,
ou abdicastes de sonhar para viver.

Montara na cabeça a vida perfeita,
como pano de fundo um casamento, um namoro, um amor,
mas como dissera, de si,
saira apenas algo natimorto.

Nessa perpetuidade ela vivera,
e, ainda vive, acostumou-se a ideia vã
de que não mais adianta rebelar-se
debater-se à um futuro diferente.
Quem sabe até, tenha ela razão.