terça-feira, 24 de março de 2009

Mais louco é quem me diz

"Este caminho que eu mesmo escolhiÉ tão fácil seguir,por não ter onde ir...."
Como diz o Raul em uma de suas célebres músicas.
Eu quero um camnho só meu, habituada as minhas loucuras disformes, habituada a insanidade atemporal, só os loucos são felizes!Que todas as teorias, leis, e certezas, sejam rabiscos num quadro negro, mas também é chato saber que quem é louco não é feliz, muito menos o normal que assim se diz feliz.
Mas que seja, a quem importa saber se o louco é feliz?Nossa vida, nosso umbigo, está preso as nossas próprias dores, por mais que queira, não dá para ser louco, não dá para ser feliz, o homem não é assim, mas eu pedirei a você.
Eu pedirei, com muito esforço eu tentarei.....
Que minha conduta seja insana, que não me conforme, que esteja nua para a vida, para a morte, para a solidão.Que meus sonhos não sejam só os meus, que a lucidez seja só mais uma palavra no dicionário.Que a loucura de ser e poder, seja meu ar, meu amor, minha crença.
Que a minha loucura contagie o mundo, a superar as suas máculas, ou que a minha loucura não seja nada ou tudo, que não importe.Mas que eu continue como o raul, sem caminho a seguir, sem certeza de hoje, sem ter que nascer para morrer, que a loucura seja a minha tábua de salvação!

sexta-feira, 20 de março de 2009

terra infértil






Finquei na terra os meus planos.

Cravei na terra, meus desejos sedentos.

Enraizei, ilusões.

Vivi, parti.

Mas sei que a terra que tudo me deu, de mim nada levou, nada que era meu; hoje existe.

A certeza de que o tempo passou, e de mim não sobra lembrança alguma, me dá engulhos.

É demasiado infeliz, aquele que acha que na terra deixa algo, dessa terra não se brota nada.

Restam apenas, carvão e cinza.Ninguém é além do que se vive!

quinta-feira, 19 de março de 2009

vento-vento-vento


Cata- vento.

Cata tempo.

Neste invento.

Passa a vida, passa a chuva, passa a alegria, vem a trsiteza, vai a velhice, esquece a sabedoria, inventa a melodia.

No cata vento, a vida gira, rodopia, para, tudo fugaz, tudo permanente.

Que bom seria, se não esquecessemos, da amarelinha, que nos leva ao céu, do pião que gira sem parar, do pega-pega sem ninguém reclamar, do cata vento não mais guardado ficar.

É sempre bom ser feliz, é sempre bom ser criança, é sempre bom pensar que nada é complicado demais; nada impossível; que viver se resumiria em viver, e não como grandes tolos, responder o que não tem perguntas.

O cata vento esquecido ou não, é a inconstância da tua felicidade pueril.

quinta-feira, 12 de março de 2009

até as flores perecem


Eu plantei um jardim na minha alma.......
Eu reguei, eu colhi, eu senti....
Era extenso e perfumado, fora deixado de lado por muitas vezes, fora esquecido, por querer e não querer...
Eu tentei por muitas vezes, apesar, de não conseguir e continuar a tentar, a arrancar as ervas daninhas, que me afligiam e sufocavam.....
Eu esmaguei aquelas que não eram belas, não por si, por mim, esmaguei por querer, destrui sabendo, que não devia.....
O jardim, me culpou, pesou, alentou, exalou.....
As flores eu jamais vi, jamais entendi, jamais serão consubstanciadas, encarnadas, jamais racionalizadas....
O jardim a cada dia renova, cada dia floresce, cada dia vive....
O jardim cada dia perece, cada dia acaba, cada dia morre....
O jardim não é externo, a minha alma é externa. A minha alma, é interna o jardim é externo, tudo transborda na alegria, se afoga no desespero, se entrega, se vende, se rouba, se usurpa na paixão....
O jardim perece, como a carne, que enfraquece, a humanidade acaba, ela como um processo natural, por muitas vezes injusto, mas acaba, ela nasce, cresce, reproduz-se, e morre.
O meu jardim a minha alma, esta condenada a morrer que seja hoje, ou amanhã, a verdade nem o tempo são justos, mas são certos!

segunda-feira, 9 de março de 2009

era ou é?



Eu renasci das minhas cinzas, eu renasci da tua luz.A casca que me cobria se quebrou.

Eu renasci do meu desapego, eu renasci na minha solidão.O vento sopra, a vida se aquece, a minha alma se liberta.

Eu renasci nos meus sonhos.Tudo se ilumina, tudo me encanta, tudo me perdoa, tudo me fortalece, em tudo creio, tudo entendo, luz forte me invade, longe de mim não ser o que sou!

Sou apenas luz, ser incomparável a outro, ser que vagava pelas trevas, pela dor, pela miséria.Hoje a tua luz me curou, mas a luz, essa luz, nunca deixou de brilhar em mim, nunca deixei de ser, nunca senti dor.Era apenas um sonho, ou um pesadelo?Era, não é, era, não é, era ou é?

domingo, 8 de março de 2009

cansada d'alma!


Cansada da minha alma que pesa sobre meus ossos.....

Cansada de existir e não constar......

Cansada de amar e o amor não me pertubar....

O consolo de toda a minha existência sempre foi perceber que o amanhã seria melhor, mas, se não existir o amanhã?Isso me afligiria a horas atrás, mas agora não mais importa, percebi nem, o hoje, nem o tempo, nem minha vida, nem minha alma me pertence....Tudo é fadado a perecer com minhas angústias.....

Viver não tem sido mais do que suportar minha alma, colada aos ossos, pesada, me cansando, mas que, por nenhuma vez justificou minha existência.

Sofrer talvez seja a única sina que temos, sofrer por existir, sofrer por não crer, sofrer por viver da mediocridade humana, sofrer por saber que não há outra felicidade; senão, sofrer hoje para que o amanhã não se torne mais um fardo a minh'alma

sexta-feira, 6 de março de 2009

pipa presa, pipa livre



Eu queria ser pipa.

Eu queria ser livre.

Eu não queria ser nenhum, nem outro.

Queria, ser dominada por mãos que rebentam de felicidade ao ter meu domínio, queria eu, ser abruptamente perdida no ar, no tempo, no espaço, ser nada, ou ser tudo.

As mãos que agora me possuem, não me retém, o tempo que me liberta, me oprime, a vontade de ser, e não poder, me alivia, me acomoda, me deixa ser guiada por um outro.

Guiada pelo próprio tempo, pelo próprio vento, orientada, para ser sempre, e talvez acabar por sempre ter sido. No mais alto dos céus, o sonho humano alcança, no mais profundo abismo da terra, o homem, não é livre. Não é pipa, não tem vento, é um calor abafado da certeza de que não se pode ser feliz, nem que pode ser para sempre.