sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Entrega contrária.

Não nos entregamos as pessoas porque parecem conosco.
Entrega-se o que de mais distinto falta no outro.

Dá-se o coração, a boca, o sexo, o tempo.
A sua antítese vivica.
Depois acostuma-se a lacuna, fragilmente preenchida.

Não nos damos a quem não nos falta.
Não damos ao que poder vir a sobrar.
É no mínimo que está o maior de cada um.
Para dar ou amar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Excitação

O que mais me excita é o fracasso da ilusão.
Ela é tão vil e estúpida, que seu próprio fracasso me entorpece.Me permite aceitar as coisas como são ou não, me deixa escapar das escolhas óbvias para não ter que dizer que existe razão.

Tudo isso me excita.
A certeza de que este verso é uma ilusão.De que as coisas vão e vem e de que a ilusão é senão: Fogo que apaga o sopro da chama do vento, no meio dum temporal.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A fé posta.

Só boto fé em uma coisa
No sertanejo que a casa retorna
No valente que descobre a fraqueza
Na parideira que dá a vida
Naquele que suporta a lama do mundo

Só boto fé em uma coisa
Na moça que racionaliza
No jovem que esquece
No velho que vive
Na puta que conforta

Só boto fé em uma coisa
No homem,

Da desgraça

A desgraça é um luxo.
A desgraça me dá tudo que eu quero.

Me dá a tua vida, a tua alma,
A fraqueza de qualquer coisa que anda por ai

A desgraça paga o pão que devoro.
A boca que consome.

A vida oprimida
A desgraça justifica toda a minha escolha.

Da carne que perece
Como urubu devoro.

Não me interessa o resto.
Que resto?Senão a própria desgraça

Com ela tudo vai e tudo vem
E desse não sobrar ou ficar.

A glória.
A desgraça é minha tábua de salvação

A minha,
Porque da tua; eu já comi.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ideal

O ideal
que é?

O ideal
quem o faz?

O ideal
qual fé?

Todos os homens, dotados de um mesmo vazio,
De uma mesma escolha.

De todos os ideais
esqueçe-se o homem que não existe.

Que em nenhum se pode abraçar
Na razão hipotética.

Fica a certeza do ideal
Que não existe senão nas nossas ideias,
nossas escolhas.

A hipótese é a vida
Sem ideal, não há hipótese.

domingo, 31 de janeiro de 2010

esvair

Me deixe esvaziar esta vida;
quero que escorra por entre as sortes..
deixe esvaziar este coração, de crenças e amores..
que no choro eu afogue as minhas tristezas.
que eu esvazie a minha cabeça
de coisas inóspitas e obsoletas.
que se desfaça este mistério
que nos envolve constantemente.
que ele parta
e eu esqueça
que se vá .

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Palanque da vida

Eu, sempre esperei que a revolução justificasse minhas ideias contraditas e utópicas; nas alamedas da vida, achei que a revolução por si só, estoraria e me colocaria onde sempre almejei, no centro, a frente, atrás, de canto em qualquer palanque da vida.
Eu, esperei e nada.
Eu, e agora isso.
Tomo a vida como alguém que sempre sufoca no futuro a chance de realização que num presente ou passado, foram sufocadas pelas então, e já esperadas ideias e sensações futuras, que quando advindas em um novo presente tornam-se ideias imediatamente absurdas, obsoletas.
Eu, assim, justifiquei o que não se justifica.
A vida.
No fundo, todas as minhas ideias buscaram um caminho ao qual não possui caminho ou resposta, não porque não hajam ideias e vontades da alma, mas simplesmente porque na antitese da vida e da esperança do futuro; o dicionário não tenha nenhuma justificativa ou significado para aquilo que é.
A vida, a ideia. É!