sábado, 30 de julho de 2011

Verbo, ah, o verbo.

Eu tenho fascinio por verbos.
Desses que por si só se apresentam.
Daqueles que o sujeito é mero espectador.
Não posso deixar de dizer,
Que os defectivos são debochados,
que não se dobram quando não querem
Que deixam loucos os sujeitos.
Afinal, que podem ser os sujeitos
se não houverem os verbos.
Os verbos regulares, estes sempre pontuais
Chegam a ser maquinais, voam, dançam,
se escondem, se escrevem e inserem.
Quando se dá conta.
uma histtória já foi dita,
outra estória repassada,
um conto podado, um sonho retratado.
Nessa bagunça toda.
O verbo, ah, o verbo,
esse moleque, essa mulher, esse senil,
que desde que é mundo existe.
Ah, o verbo.
Nem mesmo eu sei dizer.

domingo, 24 de julho de 2011

Dois camaradas.

Conversavam como dois camaradas que a pouco descobriram que eram jovens.O mais velho desgostava de tudo.Da atual juventude, da ausência de luta, da apatia juvenil, de como todo mundo hoje em dia era "alienado".O mais novo, acalentava-o dizendo, que por eles, talvez, hoje todos pudessem ser o que quisessem.Uma liberdade virtual, mas quem sabe?O mundo sempre fora louco; não?Os dois relembravam-se dos tempos dificeis de luta estudantil, da felicidade perseguida, da vida na continua correria, no subsolo do mundo que se conformava, era assim.Lembravam-se e nostálgicos se abraçaram, despediram-se brevemente, como sempre, nos mais de 40 anos de amizade.O mais velho pegara um táxi, o mais novo um ônibus, o mais velho em casa chegara, o mais novo continuara acreditando que a liberdade, talvez, não seja como esperava, mas estava ai, com a mão no peito, um enfarte lhe tirou a esperança de uma liberdade diferente.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Não sabia.

Não sabia, não sabia, quando deixou de amá-lo.Na sua cabeça, aquilo deveria ser um amor eterno, haviam dito aos seus amigos e familias que era assim que pensavam, que se trata de amor, aquela festa, o branco, o brinde, o anel, a formalidade, aquilo era firmar e confirmar, de que amor ambos falavam.Mas agora, agora já não sabia.Onde?Quando?Como?Aquilo havia acontecido.Sua razão assim dizia que há pouco tempo, suas emoções sequer lhe permitiam desdizer a razão.Não sabia o que fazer...Romper, dizer adeus, afastar-se, já não sabia, afinal, quem podia pensar que aquilo aconteceria.Não, ela não sabia.Era tudo tão confuso, que nem sabia como lhe diria, e se lhe diria em breve...Ela não sabia.Marina fechou o livro e foi jantar, não gostara muito daquela mulher que não sabia...

terça-feira, 5 de julho de 2011

A intenção agora é além de poesia postar micro contos...

Ele doente, ela doente.

Ela se mexia, se revirava todas as noites, aguardava por ele.Ansiava se livrar por esse tipo de tormento; já havia feito todo tipo de promessa.Agonizava e implorava a quem ouvisse que isso logo acabasse.
Ele por sua vez chegava sempre do mesmo jeito,lá pelas tantas, acabado, outro, fatigado, consumido pelo alcool, desconexo, vergonhoso, desabido.
Ela sempre remoia o assunto, no dia seguinte e seguinte. E assim, passaram alguns anos, rugas avincaram em seu rosto, seu conformismo e impotência já havia se tornado imperiosos, não havia tido trégua alguma, naquele estilo de vida dele.Um dia porém, após uma desgraça, um acidente, uma quase morte, uma chance de se acabar de vez, ele resolvera que era hora de se tratar.Hora de estabelecer uma regra em sua vida.Ela mais que feliz, como um sonho juvenil se agarrara a essa felicidade.Livre de preocupações, de dissabores, a ausência da angústia, do remexer todas as noites, da espera, agora era ela que adoecera.