segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Adeus.

Ao invés de gastar todas as flores em coroas pelos mortos,
Gostaria de dar a todos aqueles que sofreram
Ao invés de derramar lágrimas por aqueles que partiram,
Permitiria-me transformá-las em gozo por tudo que vivemos
Ao invés de recompor os vazios, lá os deixaria
E os silêncios, agradeceria
Deixaria-me saber quem sou e relembrar o que fomos, ou seremos
As preces guardaria, e ao invés de, lhe transformaria em poemas
A falta e a saudade daria a qualquer um na forma de um abraço
Para os corações entrelaçados decidirem o quão baterão mais rápido
E para a dor
Esta não remediaria a sentiria intensamente; não como masoquista
Mas como quem sabe que de toda dor se brota um amor.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Começo, meio ordinário e fim.

O fim não é o mesmo.
Todos os dias são finitos e
todos os anos infinitos.
Na nossa cabeça, existe um tempo.
Já em nosso corpo e nossa alma um outro.

Todo começo é prazeiroso,ou
descontrolado, ao menos.
Não se tem certeza de como será o amanhã.
Mas, há a espera de que ele virá.

O meio monótono, ou ordinário.
Ah! Este não tem boas impressões, boas definições é tão do mesmo sempre.
É tão compreeensivel por mim, por ti,
pelo teu pai, pela tua história.

Já o fim é a única certeza.
E nefasto vir a ser.Para alguns uma redenção.
Como se isso houvesse.
Para outros um desespero como se não fosse inato
A todo ser humano.
No fundo as incertezas é que nos movem.

O previsivel é tão bom e tão ruim,
Mas nos mantém adstritos ao mesmo sentimento.
No fundo o começo e o fim são as fontes
de renovação boas ou não
Mas certas e definitivas
Virão, serão, passarão e não deixaram de ser
o Mesmo sempre.

Toda espera

Todos nós estamos a espera
de alguma coisa
de um amor que nos roube o fôlego
de uma resposta para alguma inquietude
de uma salvação num momento de dor
de liberdade para a opressão

Viver as vezes,
está condicionado à uma espera
uma passagem de tempo
de tempo para o tempo
de estar apto a viver.

Viver não pode ser esperar
mas também, não é apenas fazer
ação e omissão.
A simbiose das duas
nos deixam a espera, ou
o atropelamento das etapas
Que etapas?
O hoje, ontem, amanhã o talvez
Só nos é dado escolher poucas vezes
mas esperar nos é imposto a toda hora.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não há razão nenhuma para chorar
Ainda mais se lamentar
Tudo vai passar
Assim como um temporal veranil
Que de repente acontece
A formação de nuvens nebulosas
A escuridão que encobre o sol
Da mesma forma é esta vida,
A tua, ou a do outro, não se diz
Mas, sim esta vida
A água que corre da chuva e se assenta na poça
E foge do asfalto
Que entope
Afoga, desespera e limpa
Acontece, mais rápido que se imagina
Assim como a vida que se passa
As duas se confundem
Podem ser contadas e somadas pelos veranis
Sem que muito importe ou deixem que se passe
Esta vida,
Este temporal
Cairá na estação
Assim como a lágrima que esgota a dor
E traduz a solidão
A lágrima que limpa suas próprias veias
Suas próprias razões para a tempestade da alma
Vem e passa, é só a chuva de verão
Como a brevidade desta vida.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Não sou.

Não sou importante ao ponto de ser inesquecivel.
Não sou fantástica para adentrar a eternidade.
Não sou especial para ser enaltecida.

Sou mediana, superficial às questões mundanas.
Sou do meu modo e do meu corpo.
O usufruto perpétuo das palavras e escolhas.

O supra sumo desta fisiologia.
A mediocridade da existência.
A malidicência da pureza.

Sou o pecado na sua propria gênese.
E a remissão dos mesmos quando implorados.
Não serei imolada nem canonizada.

Não porque me valha o ser.
mas seria contraditório.
ser o que não se quer ser.

Porque nascem da mesma fonte.
A beleza e o feio, o erro e o acerto.
Nasce de mim a magia e a especulação.

Sou tão baixa ou rebaixada.
na taxação do perfeito, que
Felizmente sou assim.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Meus olhos estão quentes
Como a larva de um vulcão que arrebenta
Como água fervente
Minhas pálpebras dormentes
Cansadas e insatisfeitas, mas gastas

Minha boca está fria
Como o alto das montanhas
Num inverno rigoroso
Minha língua seca, frigida e assolada
Imóvel e sem serviço

Meus ouvidos estão vulneráveis
A temperatura que se aproxima
A espreita de ser possuída
Pelo frio ou calor
Ou que bendito seja; esquecido

Minha têmpora indiferente
A quem quer
Ou o que se avizinhe
Meus sentidos estão perdidos
E falidos
Não há vida que resolva a solução
Dada pela própria natureza
A vergonha.

sábado, 6 de novembro de 2010

Somos...

Somos a esperança do nosso próprio tempo...
a necessidade da geração passada...
somos fruto de combinações...
inflexão e reflexão da nossa existência...

Somos fruto da nossa condição
e da ação somos escravos
pois a convicção é só a alma da criação.

O interesse, a necessidade e a paixão são uma única coisa
como a própria vida que se transveste de várias formas
tomando o inicio e o fim como apenas um lapso da dialética

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É preciso estar aberto.

É preciso estar aberto ao mundo das pessoas
estar aberto e consciente da própria voz que ressoa
da alma e do coração
É preciso estar aberto ao mundo real
realidade esta tangível e tão pouo refletida
mecanizada como o próprio expirar e inspirar
É preciso estar aberto ao mundo do prórpio mundo
das coisas naturais, artificiais mutáveis.
É preciso estar aberto ao mundo da alegria
que fugaz como o fogo, precisa ser alimentado, acalmado quando possivel
mas chama eficaz, sempre contra a banalidade.
É preciso estar aberto ao mundo do prórpio eu
para que se diga e se repita
que sem mim , nem o mundo nem o poeta teriam alegria.

Se é.

Se é empurrado neste mundo
Sem direito a escolha ou voz.
É jogado-se ao mundo empírico
E se ensinado o mundo teórico
E depois ainda, ensinado quando e a hora de cada um.

Se é jogado, muitas vezes,
Sem escolhas ou refúgios
No deserto árido das civilizações
No aprendizado calejante da
Própria existência.

Se é levado pelas multidões e
Limitações materiais.
Usurpado nossas esperanças.
Vindo e partindo apenas.

Se é remado para as profundezas.
Do escuro e para o mais alto da clareza
Ou a mesma medida diversa.

Se é carregado pelas mãos e pelos pés
De quem serve aos outros
De quem só pode ser empurrado.

Se é tomado a própria existência
Quando dela mal se percebe a efemeridade.
Mal se nota a importância.
Quando o sacro está acima e não ao lado.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Gente?

Eu tive fome,
E bebi água barrenta para passar.
Eu tive sede,
e não tinha água, adormeci.
Eu quis plantar
Mas não tinha terra.
Eu tive frio
e um jornal foi para esquentar.
Eu adoeci e sofri.
O doutor não chegou e eu morri.
Eu quis vida, liberdade,
e tudo me foi negado.
Eu não sei para quê, mas chamam de dignidade...
Esta eu acho que nunca terei.
Porque eu não sou letrado,
sou mulato, sou favelado,
sou indigena, sou mulher,
sou gay, sou deficiente,
sou feio, burro e tolo.
No fundo acho que não sou gente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Esta será minha 100ª postagem.
Para esta ocasião uma grande canção...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Homem racional

Eu que me declaro consciente.
racional como todo o humano.

Que deseja ir além daquilo que se vê.
Que se poda das emoções.

Para assim, ser quem espera ser.
Num lugar ou ocasião qualquer.

Se faz mediato se apresentar
e executar aquilo que se espera.

Aquilo que se crê.
Aquilo que se vê.

Atesto através das palavras.
Articulações, meticulosamente refletidas.

O que o humano pode ser
máquina de concreto, oca.

Nascido com ou sem alma.
Com paixão ou apagada esta.

Eu sou homem.
Mas eu admito.

Que o racional esteja com determinante
Ante aos demais animais.

Mas se não me compadeço.
Sou o pior dos animais.

Sou aquele que sabe.
Mas não ajuda.

Sou aquele que aceita a morte.
Como razão para vida.

sábado, 25 de setembro de 2010

O perfeito e imperfeito

Sou feita do orvalho das flores
Sou um amontoado de cascalho
Sou a brisa marítima
Sou o bloco de mármore
Sou o fruto doce do paladar
Sou o cheiro do tabaco
Sou a pureza da infância
Sou a experiência da história
Sou o maleável e o duro
Sou o firmamento
Sou o norte e o sul
A razão e o amor
Sou um coração que debocha sua utilidade
Sou a animalidade na minha razão
Eu sou o belo
Eu sou o feio
Eu sou a compaixão
E sou o ser humano

domingo, 19 de setembro de 2010

Luta!

Gostaria eu, de declarar boas novas
Acreditar na consciência
Desfazer os desentendimentos correntes
Auto-proclamar a libertação
Livra-me e a nós, dos demônios habitantes
Respeitar e bendizer estes corpos
Estas veias, este sangue que corre e se esparrama
Nesta cabeça e alimenta a esperança

Deveria eu, perseverar e não amainar quando cansar
Predizer todas as orações corajosas e fiéis
Reconfortantes ao ouvido, acalentante ao coração
Humus desta carne humana, mais que humana
Estranha a razão ou emoção dominante
Mas hoje digo apenas o que vale
É a luta, não há ideal, nem fim
É o meio que diz por si só
o que se faz acreditar.
A luta é a única fonte verdadeira de purificação
e afogamento destas paixões.
Mesmo que erijas sua vida, na liberdade e sinceridade.Tais virtudes não te impedirão que um dia volte a ti estes sentimentos arraigados de mágoas e desprezo, indiferença;porque ser livre e sincero é o oposto do que afaga o ego humano. E para tal o homem ainda não se preparou.
Sou feito de carvão
Porque eu sou brasa
Esquento e inicio um processo lento e gradual
Aqueço a ponto de desfazer-se mim
Nasço na brutalidade dessa natureza
Extrai-se de mim o que sempre se espera
Tenho um fim premeditado como todos iguais a mim
Pereço e diferente; como cinza, acabo assim.

domingo, 5 de setembro de 2010

A liberdade é conquistada a duras penas, renuncia-se a própria liberdade, do corpo e das instituições, renuncia o amor de si. Transcende a carne e as próprias idéias. Ser livre é não estar neste mundo e lugar nenhum. Ser livre é mais do que a própria sensação de caminhar sem parar, beber sem sentir sede, acalentar-se sem haver neblina. A liberdade é tão sofrida que ela mesma não supera sua definição ou ensejo que inspira. Não está vinculada há um inicio ou um fim. Mas um meio para onde não se tem definição, certeza. Vinculada a tua existência de fato e não de direito. Se quiser liberdade, mas a liberdade não está em lugar nenhum nem se finca num corpo e espírito. Ela anda a milênios na boca, na história, na teoria, na ideologia. Está ai e ninguém viu ou pode tocar. Está onde não se vê, nem se ouve, está no âmago de um processo perpétuo

domingo, 22 de agosto de 2010

É tanta coisa que transborda a cabeça
que não cabe na boca,
foge da cabeça,
rompe com toda a lógica e
se esparrama por palavras
frases e poemas para escrever.

Sufoca o peito
dispara este coração,
respiração descompassada,
tudo por uma coisa
que desde sempre
todos aqueles que desceram da árvore
nem todos, talvez,
a querem.

És tu, aquele que lê ou sente, ou sabe
ou não, que se esborraxa.
Por estas palavras e ações.
Felicidade.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Não há nada de excepcional em ser o que se é.
Mas, talvez seja isso, que desperte em alguém.
Que num acaso, ou num lapso temporal.
descubra em você uma nova filosofia,
uma paixão.
Ou quem sabe algo realmente importante
de modo, que grite aos olhos.
E seja um eco perpértuo, no que diz
ao que ficará para sempre no meu coração.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

.Óbvio

Fico feliz com a não obviedade de algumas coisas,
Seriam elas as razões porque nos equivocamos com o tempo,
Com as pessoas, com o próprio corpo, com o espírito
E sua suposta razão.
Pareceria obvio dizer que existem razões que nos levam a crer.
Óbvio dizer que a transladação tem a duração de 365 ou 366 dias,
Como quer que seja sua definição
Que a água é um elemento, junto com o fogo, a terra e o ar.
Que o amanhã vem depois de hoje,
E que óbvio se escreve com B mudo, porque fizeram assim a regra gramatical.
Tudo seria óbvio, se não se esparramasse no tempo,
E fosse maquinal mente, passado e repassado.
Seria óbvio se sua própria existência permite, e assim o é
Que não seja para sempre,
O óbvio já arrancou cabelos, palmas, governos,
Tudo num processo historicamente construído, definido,
Mas isso seria óbvio demais; não?

domingo, 15 de agosto de 2010

Aceitar as pessoas como elas são;
Talvez, seja a coisa mais difícil de se fazer.
Aceitar que suas idéias não serão compatíveis sempre as nossas;
Talvez, porque sejam melhores, de onde ainda não chegamos para ver.
Aceitar que uns morrerão enquanto outros viverão;
Talvez, porque haja um momento para se morrer e outro para se viver.
Aceitar que o diferente;
Talvez, seja tão e somente igual a mim.
Aceitar que o outro é parte de mim;
Talvez, permita assim, que um dia possamos dizer que;
Aceitamos que somos uma humanidade.
Queria ajustar o tempo,
E dizer que as escolhas feitas foram minhas,
Retomar os velhos amigos, as velhas histórias
As velhas coisas já esquecidas
Mesmo que hoje, parecessem obsoletas

Queria ajustar o tempo pro futuro,
Para predizer o que poderia sofrer ou ter
Conquistar novos espaços,
Pluralizar novas paixões
Adormecer com a certeza de se viver
Ou de se morrer
Perto ou longe.

Queria ajustar a vida
Os sentidos
As fases
A razão para não podê-lo
É que elas acontecem
Como água da nascente até o seu próprio fim
Passa sem se ver, sem se perceber
E ter a impressão de que tudo sempre foi, será e é igual
Mas foi também e o será ao mesmo tempo diferente
Como numa única explicação
O oposto de sua própria razão de ser.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Eu tinha uma história,
longa e sincera,
Eu tinha pessoas,
melhor anjos e demônios
Anjos porque me afagavam
Demônios porque não me deixaram arrefecer.

Tinha eu ideias e escolhas,
Haviam momentos e tempos
Tinha-se de tudo dentro de uma única pessoa
Tinha-se vida e morte
Porque se morria a todo instante
e se vivia toda uma vida

Tinha e havia
podia e se era
Hoje, ainda é,
porque você meu anjo e demônio,
meu tempo e minha atemporalidade
é e foi, e o será uma coisa mais verdadeira que a próprio nome
ou o sangue que circula sobre nossas veias
Verdadeiro porque sua companhia me faz amar e me sentir amada
e poder hoje dizer
Agradecida meu GRANDE amigo

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sentada numa pedra.
Analisando o que te circunda.
vendo em suas próprias experiências
o que fizera.

Remoendo talvez; suas culpas
saboreando tardiamente
sucessos eventuais

Permitindo reler sua própria vida
O que fizera ou postergara dela
Buscando caminhos ou desejos
que ainda a possibilitassem recomçar.

mas é tarde
o passado é uma borboleta ou uma abelha
o futuro uma mosca
o presente qualquer verme que no dia de minha morte
me consome

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Amor.

O amor é uma coisa linda
Não porque é sobre-humano,
travestido de anjos ou sublimação.
Mas porque brota de coisas
estranhas e inócuas
Porque acomete sem pedir passagem.
É bonito porque nasce e morre
e renasce como se fosse impossível
esgotá-lo ou satisfazê-lo
É bonito porque não é irracional
tão racional se faz que não consigo
descrever suas escolhas.
É bonito porque cada apaixonado
o vê por olhos seus uma imagem
que não se pode transmitir, dada
sua singular visão.
É bonito porque guarda
consigo o mais mal-querer,
que se é padecer e morrer
por uma coisa que não se sabe nominar.
O desespero acontece a todo momento
Parte ao meio nossa alma.
mergulhar nosso corpo em uma luz.
Que ao fim desta, está num grande
vácuo e negro fundo.

Que se faz quando se está assim?
Desperta de um pesadelo estúpido
e descarta a existência como
laranjas podres jogadas num lixo.

Que se pode fazer com o que é invitável?
Como correr para aquilo que é movediço
Quando transpõe-se este infortúnio
Ó imenso pasto, que qualquer vaca me come.
E eu nem pude descartar, ou
me despedir dessa ignóbil vida.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Eva pagã.

Sou pagã como a puta da esquina.
Como quem prega um Deus morto.
Sou pagã como o amante.
Como quem diz que ama a alguém.
Sou pagã como quem ama criancinhas.
Como quem as viola de sua pureza.
Sou pagã como quem concorda com esse sistema.
Como quem ama ser hipócrita e sabido ao mesmo tempo.
Sou pagã como quem não se banhou.
Como quem só teve tempo de dizer: É isso.
Sem que saiba o que essas palavras significam.

Agente, na vida?

Agente vai ter fome,
Como a menina que vende frutas e não pode comê-las
Agente vai ter sede
Como aquele que serve, mas ninguém vê
Agente vai ter frio
Como quem não ama
Agente vai ter medo
Como quem não vive
Agente vai ter desespero
Como quem embriaga a vida, achando que pode fazê-la bonita
Mas sem um barato, ela volta a cor de sempre
Agente vai se cansar
Como eu, que desta vida que nada posso levar
Agente vai se permitir
Esperar como o enfermo numa guerra
Agente vai amar e não ser amado
Agente não vai perdoar nem ser perdoado
Agente vai esquecer e ser esquecido
Agente vai sobreviver e morrer
Agente vai ser o que não quiser e quiser
Agente vai ser um personagem numa história
Em que o fim se faz hoje
Neste decrescer, neste crescer,
Um dia um nascer, amanhã crepúsculo.
Eu queria um toco de vela, para clarear minhas idéias.
Queria um pedaço de folha para escrever um comentário.
Uma caneta para rabiscar um sonho.

Queria coisas materiais para transmitir emoções.
Queria histórias para combinar com fatos simplórios.
Queria imagens confusas para explicar fumaça de boas coisas.

Pedaço de carvão para o desenhista.
Um personagem para o contista.
Uma modelo para uma fotografia.
Uma esperança para quem já está morto.
E tudo isso numa vida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Apagaram um passado com a peneira
Castraram, mutilaram almas em tempos presentes
Deram a quem queria o direito de trucidar,
Violar, detruir tudo que não é humano

Continua e continua como uma religião
de escárnio e nojo ao diverso
O sub humano não tem alma
não tem vida, dignidade
e disseram que a lei são para todos
e de fato é mas só
para quem pode matar!

ps* tortura vergonha inadimissivel!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Deram me uma coisa,que não sei para que serve.
Me deram o direito dse escolher.
Mas para quê, para onde?

Foi me dado isso ao nascer, mas usurpam-me a todo tempo.
Escolhas que renunciam a isso.
Decisões antagônicas, mas necessárias.

Meus braços não comportariam segurar essa coisa.
Minhas costas cansadas, certamente não suportariam por muito tempo.
No entanto a escolha é só uma falácia.

Dizem que o nome da coisa é Liberdade
Mas para que serve; ainda não sei.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Achei que pudesse tocar o coração, sem precisar passar pelas feridas ou pelas afirmações.
Passar pelo mais humano, a mim é estranho.
Mesmo que seja eu, igual, não sei tocar sem de alguma forma me perder.

Perder de minhas próprias ideias para tocar.
Perder a própria sensibilidade e machucar.
À quem nem direito dei de se defender

Sempre soube, e talvez, saibam todos, que não há habilidade.
Para tudo aquilo que acontece, com ou sem força mediata de um destino.
Construi uma coisa que não posso mais controlar, ou posso, como não sei.

Como um fluxo ininterrupto de ideias, desejos e matéria.
Eu escrevi no teu amor a minha ideia.

sábado, 22 de maio de 2010

Vicio.

tenho como vício
tecer loucas teorias,
explicar ideias,
sentir coisas.

Tenho como vício
supor que sei,
mas no fundo, como;
uma profunda escuridão
não sei.

tenho como vício
dizer coisas inaudíveis
para mim mesma,
para que,
não venha
a acreditar nelas.

Tenho como vício
a escravidão da vida
que nada tenho
ou reterei.

essa incerteza,
essa mutabilidade,
o constante vir-a-ser.
é que, hoje, faz ser eu
um vir-a-ser.
O que sou?
Quem sou?
Sou o que?
Sou quem?
Mesmo que venha
a dizer o que sou.
Não serei
afinal não dizer,
é que me diz
quem sou.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Felicidade natimorta

Ela, sucumbira a dor de existir,
sucumbira a uma vida mediocre,
em sua casa, ninho fecundo,
Natimorto era, desde que abidicastes de sonhar,
ou abdicastes de sonhar para viver.

Montara na cabeça a vida perfeita,
como pano de fundo um casamento, um namoro, um amor,
mas como dissera, de si,
saira apenas algo natimorto.

Nessa perpetuidade ela vivera,
e, ainda vive, acostumou-se a ideia vã
de que não mais adianta rebelar-se
debater-se à um futuro diferente.
Quem sabe até, tenha ela razão.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Num recorte de jornal ao lembrar de mim, uma amiga me presenteou com uma coluna, segue um trecho.Não sou tudo o que dizem, mas imensamente grata!

"...Cada pessoa é única, e é por aí que acontece o amor; ela é única em seus traços físicos, em sua inteligência.É só cultivar o que temos de mais precioso, essa "unicalidade", para se destacar num mundo em que todos estão cada vez mais iguais.Não é questão de ser mais, nem de ser diferente apenas de ser única..."

Não é o dinheiro, as coisas, as formas, que nos fazem felizes são as ideias e a eternidade das pessoas que dão sentido aquilo que ainda pode ser, mesmo que não o seja para sempre!

domingo, 25 de abril de 2010

Não, fale, nem diga!


João, não diga que não amas mais a ela.
Não diga, que o que hoje sente é partido.

Não diga que é pedaço mitigado.
Pedaço esfarelado, poeira parecida.

Não a ama mais.
Mas não diga.

A força da partida nos diz:
Não diga!

Não dói o não saber.
Dói para qualquer.
Indistintamente.
Dizer, por mais que não o pareça.
Sou a constância de uma pedra.
E a eternidade de uma ideia.
Pertenço a natureza morta,
das coisas separadas, vazias.

Mas,
sadias, pois a plenitude,
advém do vácuo.
Dado o presente continuo,
a ser um vácuo na eternidade.
Passagem da constância eterna.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tem gente.

Tem gente que tá junto e tá longe.
Tem gente que nem aqui está.
E também não o queria.

Tem gente que tem corpo.
Mas não tem alma.
Tem gente que tem Karma,
mas não tem massa.

Tem gente que é por que é
Não porque quer.
Depois da hora.
Agente não é mais ninguém.
Ou será que é gente?Ainda.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Para que eu seja eterna deixo minhas "desverdades".
Que na sua inexatidão me permitem ser única.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Das Flores

Flores
Flores murchas e mortas.
Flores carcomidas.

Flores, passadas, amareladas.
Opacas.
Orvalhadas.
Flores...

Germe belo.
Progresso findo.
Flores.
Te ligam ao belo.


Mas putrefam como qualquer.
Flores.
Que crescem e são.
Flores.
Que acabam e não literais,
passam a ser eternas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Deixe



Deixe-me ser só até onde quiser ser só.

Apague esta chama e deixe a neblina.

Acalme teu coração e siga

Deixe a solidão com a minha exclusiva e necessária saída.

Deixe o tempo, busque o que quiser

De mim, resta o vazio, quiça um eco.

Teu amor

O meu eu precisa de espaço
Pro teu amor.
Ah, que amor,
cálido e fugaz
Incerto e predestinado

Escritos por tantos caminhos só eu sei.
Que eu preciso de espaço.
para adentrar na minha alma.
E bater, marcar, aprofundar esta predestinação,
o teu Amor.

quinta-feira, 4 de março de 2010

É mais fácil isentar-se e anular qualquer vontade.
O mérito das escolhas e vontades é apenas escusar-se delas.
Tudo é fácil quando o ato de pensar passa apenas a ser dos irracionais queridos.
Domesticados e selvagens os homem passam a ser.



Vomitar sonhos desejos são apenas banalidades.
Porque o isento não precisa está sempre a sombra de alguém que pensa
ou diz que pensa.
É facil ser qualquer irracionalidade.
De que gastar saliva com a alienação massificante.

terça-feira, 2 de março de 2010

Neruda.



Mestre querido...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Entrega contrária.

Não nos entregamos as pessoas porque parecem conosco.
Entrega-se o que de mais distinto falta no outro.

Dá-se o coração, a boca, o sexo, o tempo.
A sua antítese vivica.
Depois acostuma-se a lacuna, fragilmente preenchida.

Não nos damos a quem não nos falta.
Não damos ao que poder vir a sobrar.
É no mínimo que está o maior de cada um.
Para dar ou amar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Excitação

O que mais me excita é o fracasso da ilusão.
Ela é tão vil e estúpida, que seu próprio fracasso me entorpece.Me permite aceitar as coisas como são ou não, me deixa escapar das escolhas óbvias para não ter que dizer que existe razão.

Tudo isso me excita.
A certeza de que este verso é uma ilusão.De que as coisas vão e vem e de que a ilusão é senão: Fogo que apaga o sopro da chama do vento, no meio dum temporal.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A fé posta.

Só boto fé em uma coisa
No sertanejo que a casa retorna
No valente que descobre a fraqueza
Na parideira que dá a vida
Naquele que suporta a lama do mundo

Só boto fé em uma coisa
Na moça que racionaliza
No jovem que esquece
No velho que vive
Na puta que conforta

Só boto fé em uma coisa
No homem,

Da desgraça

A desgraça é um luxo.
A desgraça me dá tudo que eu quero.

Me dá a tua vida, a tua alma,
A fraqueza de qualquer coisa que anda por ai

A desgraça paga o pão que devoro.
A boca que consome.

A vida oprimida
A desgraça justifica toda a minha escolha.

Da carne que perece
Como urubu devoro.

Não me interessa o resto.
Que resto?Senão a própria desgraça

Com ela tudo vai e tudo vem
E desse não sobrar ou ficar.

A glória.
A desgraça é minha tábua de salvação

A minha,
Porque da tua; eu já comi.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ideal

O ideal
que é?

O ideal
quem o faz?

O ideal
qual fé?

Todos os homens, dotados de um mesmo vazio,
De uma mesma escolha.

De todos os ideais
esqueçe-se o homem que não existe.

Que em nenhum se pode abraçar
Na razão hipotética.

Fica a certeza do ideal
Que não existe senão nas nossas ideias,
nossas escolhas.

A hipótese é a vida
Sem ideal, não há hipótese.

domingo, 31 de janeiro de 2010

esvair

Me deixe esvaziar esta vida;
quero que escorra por entre as sortes..
deixe esvaziar este coração, de crenças e amores..
que no choro eu afogue as minhas tristezas.
que eu esvazie a minha cabeça
de coisas inóspitas e obsoletas.
que se desfaça este mistério
que nos envolve constantemente.
que ele parta
e eu esqueça
que se vá .

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Palanque da vida

Eu, sempre esperei que a revolução justificasse minhas ideias contraditas e utópicas; nas alamedas da vida, achei que a revolução por si só, estoraria e me colocaria onde sempre almejei, no centro, a frente, atrás, de canto em qualquer palanque da vida.
Eu, esperei e nada.
Eu, e agora isso.
Tomo a vida como alguém que sempre sufoca no futuro a chance de realização que num presente ou passado, foram sufocadas pelas então, e já esperadas ideias e sensações futuras, que quando advindas em um novo presente tornam-se ideias imediatamente absurdas, obsoletas.
Eu, assim, justifiquei o que não se justifica.
A vida.
No fundo, todas as minhas ideias buscaram um caminho ao qual não possui caminho ou resposta, não porque não hajam ideias e vontades da alma, mas simplesmente porque na antitese da vida e da esperança do futuro; o dicionário não tenha nenhuma justificativa ou significado para aquilo que é.
A vida, a ideia. É!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ó pai, ó mãe, ó povo!

Ó pai perdoa as minhas atitudes,
perdoa meu coração e minha boca.

Mãe querida esqueça as minhas travessuras,
minhas bobagens juvenis.

Ó senhor perdoe minha rudez.
Senhor senil, esqueça minha inexatidão.

Mas não posso deixar de ser,
de escrever e comigo,
deixar as minhas tolas
e desperadas vontades de viver sumir.

Morro pelo que acredito,
defendo a sua escolha,
e desejo a mim apenas acreditar.
E não titubear ao defender você.

Pai, mãe, senhor, povo.
Sou o que quiser.
Por você e pra você o perdão não existe.
Afinal na defesa.
Eu não escolho.
Mato e morro.
Morro e mato.

São credos.

E ela, faminta e sedenta

Não foi lhe dado alma alguma.
A ela apenas um pedaço de vida, uma sobra de esperança.Não sua; dos outros, famigerada e sedenta.
Na sua melancólica parte de uma esperança, era possivel ver, não a ela, mas a fome, a sede.Sua sorte não ter alma.
Porque ninguém se rende há um céu ou um inferno.Aceita-se apenas a parte de vida que lhe foi entendida.
Faminta ou sedenta dizem que é vida, mesmo que a esperança não tenha razão ou finalidade alguma.
Mas de que adianta?Não é o todo mas a parte que lhe foi dada, e a esperança nunca vem com a parte destinada.Vem, somente pelo outro e com o outro ela se vai.
E ela foi.

2010!

Dado o meu justificado sumiço, resolvi retornar ao blog...
São justificativas inóquas dado o fato que poucas pessoas, senão nenhuma leem essa "coisa".
Mas justifico ao meu amigo imaginário e esquizofrênico ou um alter ego melancólico meu!

é isso
Wilkommen Leuten!